Itália converte túmulo de Mussolini numa atração turística

No próximo domingo, a data do nascimento de Mussolini, será aberta ao público a cripta onde está o seu túmulo em Predappio, a sua cidade natal, um município de 6.200 habitantes na província de Forlì-Cesena, a 320 quilómetros de Roma.

O presidente da Câmara, Roberto Canali, sente-se feliz com esta abertura e considera que o túmulo de Mussolini pode ser, do ponto de vista turístico, uma mina de ouro para o povo: “Benito Mussolini, para a economia de Predappio, é um motor económico”, disse, de acordo com o jornal espanhol ABC.

Canali, dono de uma fábrica de rações, é o primeiro presidente de centro-direita na cidade. Predappio, feudo tradicional do centro-esquerda há 75 anos, foi infetado pela onda de direita que prevalece na Itália e, nas últimas eleições locais em maio, impôs-se, com 60% de votos, uma lista apoiada pela Liga de Matteo Salvini, Irmãos da Itália e Forza Italia.

Canali quer abrir a cripta, que pertence à família, durante todo o ano. “Espero mantê-la aberta para aumentar o turismo, pois é uma importante fonte de renda do turismo“. O plano é apoiado pela família do ditador fascista. Rachele Mussolini, de 43 anos, neta do antigo político, aplaude a ideia. “É um lugar histórico e um catalisador para a economia local”.

Atualmente, a cripta só abre três vezes por ano. Para comemorar a sua morte, nascimento e marcha em Roma em 1922. Estas são as datas em que os autocarro chegam em Predappio de grande parte da Itália, cheia de fascistas que cumprimentam de braço ao alto, alguns com camisas pretas e com o chapéu fascista.

O novo prefeito quis deixar claro que se move por uma motivação económica e não pela nostalgia do fascismo.

“Mussolini atrai muita gente. Algumas pessoas ligam-nos perguntam se a sepultura pode ser visitada. É evidente que vêm a Predappio por ele. Mas apelo ao bom senso: eu era uma criança nos anos 70, quando havia confrontos nas ruas entre pessoas nostálgicas do passado e a Luta Contínua. Desde então, a situação acalmou. As tensões do passado devem ser evitadas. Temos de olhar sem ideologias aquele período histórico”.

É inegável que uma certa ideologia tem muitas lembranças que são vendidas nas lojas da rua principal de Predappio, negócios permitidos pela administração local de esquerda anterior. Giorgio Frassinetti teve o projeto e começou a angariar fundos para abrir um centro de investigação sobre o fascismo num lugar que sediou o partido fascista.

Mas há quem discorde de Canali. Por exemplo, Luca Capacci, membro do “Possibile”, um partido de extrema-esquerda, diz que “20 anos de história italiana e mundial não podem ser esquecidos”.

A verdade é que hoje, em Itália, até mesmo aqueles que apoiam o Duce sabem que não era um bom personagem porque levou o país ao desastre. Também sabem que o regime fascista morreu com o Duce.

Mas não falta sentido de humor para realizar um filme sobre Mussolini – “Voltei” – lançado no ano passado, uma ideia importada da Alemanha. O diretor, Luca Miniero, diz que hoje Mussolini venceria as eleições.

ZAP //

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