Máscaras, ventiladores e gravações do Zoom. Como os museus vão contar a história da pandemia

Foto do interior de museu.Cada momento que vivemos fica marcado na História da Humanidade. A pandemia de covid-19 não vai ser diferente – muito pelo contrário. Os museus de todo o mundo já se estão a preparar para contar a história da doença que fechou milhares de milhões de pessoas em casa.

A pandemia de covid-19, que surgiu em dezembro na cidade chinesa de Wuhan e rapidamente se espalhou por todo o mundo, já infetou mais de 2,5 milhões de pessoas e matou mais de 170 mil a nível global.

À medida que o vírus se espalha, muitas instituições culturais fecharam as suas portas para ajudar a travar a propagação do vírus. A maioria dos funcionários trabalha em casa e os visitantes exploram as galerias virtualmente.

Esta situação é, inegavelmente, histórica. E, segundo o Atlas Obscura, isso significa que as instituições culturais estão a tentar recolher artefactos que possam, um dia, contar a história da pandemia de covid-19.

É um momento estranho para fazer coleções. Os funcionários e os doadores potenciais não pensam automaticamente em exibições futuras, enquanto tentam cuidar de familiares doentes, ajudar crianças que estudam à distância e manterem-se saudáveis.

Colecionar durante a pandemia significa que os curadores têm de lidar com desafios práticos e questões morais. Dave Herman, fundador do museu comunitário de Brooklyn City Reliquary, disse ao Atlas Obscura que gostaria de colecionar máscaras faciais, que se tornaram uma visão omnipresente em todo o mundo. Porém, “certamente não queremos tirar máscaras dos rostos das pessoas para garantir vão para um arquivo”.

A busca por artefactos “não é um serviço essencial neste momento”, acrescentou Herman. “Porém, quando olhamos para trás, será essencial ver como isto nos afetou”.

O Museu Nacional de História Americana do Smithsonian, em Washington DC, tem uma moratória para trazer novos objetos, mas os curadores já estão a trabalhar nas suas listas de desejos de artefactos pandémicos.

Uma das prioridades são os objetos efémeros “que as pessoas deitam fora ou não pensam em salvar”, explicou Benjamin Filene, diretor associado de assuntos curatoriais do museu ao Atlas Obscura.

Nos objetos educativos incluem-se gravações de palestras à distância ou trabalhos escolares rabiscados na mesa da cozinha. Já a equipa de ciência e saúde quer colecionar algumas das “curas milagrosas” que estão a ser vendidas.

Ventiladores e kits de teste estão entre os objetos que os curadores perseguirão mais tarde, quando a sua necessidade imediata é muito menos aguda. Atualmente, esses objetos salvam vidas. Mas, eventualmente, ajudarão os visitantes do museu a pensar profundamente sobre a interseção de medos públicos e manobras políticas.

Por enquanto, o City Reliquary está a contentar-se com objetos digitais, como fotografias de letreiros feitos à mão e fachadas de lojas fechadas.

Os objetos físicos virão mais tarde. “Quando for seguro remover as máscaras, as pessoas podem pensar: não preciso de pôr isto no lixo. Isto faz parte de um momento histórico”, disse Herman.

Além das histórias de dias solitários em casa, a equipa de Margi Hofer, diretora da Sociedade Histórica de Nova Iorque, está interessada em colecionar histórias e objetos de trabalhadores essenciais, como profissionais de saúde, trabalhadores de transporte público e funcionários de supermercados.

Quando os objetos físicos chegarem aos museus, as equipas terão de descobrir que novas medidas de segurança podem ser necessárias para o seu tratamento, manuseio e armazenamento.

E, como a crise ainda se está a desenrolar – ainda não há um consenso de especialistas sobre quando a pandemia desaparecerá e quando os protocolos de distanciamento social poderão diminuir -, é difícil prever a forma como as pessoas se relacionarão com as máscaras e outros artefactos daqui a alguns anos.

MC, ZAP //

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