Se perder uma carteira no Japão, tem uma grande probabilidade de a reaver. Eis a razão

lopez_roderick / Flickr

Memorial da Paz de Hiroshima, no Japão

Telemóveis esquecidos em táxis, carteiras deixadas em bancos de autocarros e guarda-chuvas abandonados. Os cerca de 126 milhões de residentes no Japão perdem um grande número de itens pessoais, mas uma grande percentagem de objetos consegue regressar aos seus legítimos proprietários.

Perder uma carteira não é o pior que nos pode acontecer, mas é um acontecimento que gostamos sempre de evitar. Enquanto que na maioria dos lugares pode ser extremamente difícil recuperar objetos perdidos, o Japão é um exemplo de que a esperança é a última a morrer.

Num artigo publicado no CityLab, o advogado Allan Richarz enumerou as razões pelas quais a jurisdição e o clima cultural exclusivos do Japão fornecem um método muito eficaz para recuperar objetos perdidos.

Se um japonês tropeçar numa carteira, por exemplo, em vez de ponderar ficar com ela, ou de se questionar onde deve entregar este pertence, o cidadão desloca-se de imediato a um koban local – uma pequena esquadra da polícia.

Em 2018, cerca de 4,1 milhões de itens desaparecidos foram entregues à polícia, e a probabilidade de estes pertences chegarem às mãos do seu dono é muito alta. Nesse mesmo ano, refere o matutino, 130.000 dos 156.000 telemóveis perdidos (83%) foram devolvidos e 240.000 carteiras (65%) regressaram a casa.

Os objetos perdidos são, normalmente, mantidos no koban durante um mês. Depois desse período de tempo, são enviados para um Centro de Perdidos e Achados do Departamento da Polícia Metropolitana. Aí, o item é catalogado e colocado num bando de dados online ao qual toda a população pode ter acesso.

Depois de determinado objeto permanecer nesse departamento durante três meses, é entregue à pessoa que o encontrou. Caso contrário, os objetos tornam-se propriedade do Governo local, e podem eventualmente acabar numa venda de segunda mão.

Segundo o autor do artigo, há dois motivos que levam os japoneses a serem tão diligentes no que toca à entrega de objetos que não lhes pertencem: respeito e Justiça.

As crianças são educadas, desde muito cedo, a devolver os itens que encontram perdidos à polícia, como parte do seu dever cívico. Por outro lado, a Lei de Propriedade Perdida, alterada em 2007, exige que os objetos perdidos sejam entregues às autoridades caso o proprietário não consiga ser localizado.

Como recompensa, os cidadãos recebem uma pequena percentagem do valor do objeto em causa, caso este regresse à posse da pessoa que o perdeu.

Perder objetos durante uma viagem é uma verdadeira dor de cabeça. Mas se visitar o Japão, pode ser um problema menor: basta pedir instruções no koban mais próximo.

ZAP //

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