Restaurantes de Palma de Maiorca impõem regras de vestuário para conter “onda de comportamento anti-social”

Empresários alegam que, após dois anos de pandemia, o comportamento dos turistas está ainda pior e mais excessivo. Autoridades locais estão apostadas em diminuir o número de camas, começando pelas ofertas de menor qualidade.

Após décadas a beneficiar de um fluxo de turistas tremendo, os proprietários de onze restaurantes na linha da praia da ilha de Palma de Maiorca decidiram introduzir um conjunto de regras, no que ao vestuário diz respeito, para que os clientes possam frequentar os seus espaços. A tomada de posição é vista como um esforço por parte dos proprietários de colocar termo ao que descreveram como uma recente onda de comportamento anti-social entre turistas bêbados.

Nestes restaurantes, a maioria dos quais localizados na Playa de Palma, não serão mais permitidos clientes sem camisa, fantasiados ou com equipamentos de clubes desportivos, explicou Juan Miguel Ferrer, um dos envolvidos. A medida está a ser interpretada como um selo de qualidade criado pelas empresas locais a que os restaurantes pertencem.

“O que estamos a tentar comunicar, de certa forma, é a ideia de que para entrar aqui se deve tomar um duche ou mudar de roupa“, acrescentou. “Não virá para aqui com roupa de praia ou diretamente dos copos”.

A mudança foi motivada pela recente inundação de turistas mais interessados em beber do que em provar a gastronomia local ou conhecer encantos da ilha. “Desde maio, temos vindo a sofrer a chegada de grandes grupos de turistas que apenas procuram embebedar-se nas ruas, ou na orla marítima ou mesmo na praia”. O proprietário descreveu a situação como pior do que tinha sido nos anos anteriores à pandemia, chamando-lhe uma “realidade infeliz“.

“Chegam aos hotéis por volta das 10 da manhã e, por volta das 14 horas, já não conseguem sequer andar“, disse Ferrer. “Estão completamente bêbados e até os seus companheiros os deixam deitados na calçada”.

Uma lei de 2020 que procurava travar o turismo motivado pelo álcool surtiu pouca diferença até agora, notou. Em vez disso, Juan Miguel Ferrer pediu que fosse concedido à polícia o poder de multar as pessoas no local por delitos relacionadas com o comportamento anti-social. “Precisamos do apoio das autoridades porque nem os empresários nem os vizinhos podem impedir isto”, disse Ferrer.

Os lamentos dos proprietários dos restaurantes surgem dias depois de os políticos da região – que também inclui as ilhas de Ibiza e Menorca – terem apoiado uma iniciativa que visava reduzir gradualmente o número de camas turísticas oferecidas. As ilhas Baleares, uma das regiões mais visitadas de Espanha durante os meses de verão, contam atualmente com 625.000 camas turísticas – o equivalente a uma cama por cada dois residentes.

O governo tinha proposto o mecanismo, eventualmente comprando lugares em unidades hoteleiras de uma e duas estrelas na região. “Já não podemos crescer em quantidade”, disse Iago Negueruela, um funcionário regional responsável pela economia e turismo para as ilhas.

Enquanto os meios de comunicação locais noticiaram que a medida podia ver o número de camas turísticas diminuir em 40.000, fontes governamentais ressalvaram que não tinham sido negociados números concretos. O objectivo é reduzir o número de visitantes, mas fazê-lo de forma a proteger uma indústria que representa cerca de 45% do PIB da região e emprega mais de 200.000 pessoas.

Esta é uma possibilidade que está a ser analisada em toda a Espanha à medida que o país procura encontrar um equilíbrio entre uma das suas indústrias-chave para a economia e as crescentes queixas de ruído, desordem e apartamentos a serem convertidos em alojamentos.

ZAP //



DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here