Os turistas estão a destruir os sítios que adoram. E o Porto não escapa

Rititaneves / Wikimedia

A cidade do Porto é mais cool do que Lisboa, segundo a CNN

A revista alemã Der Spiegel dá o exemplo da cidade do Porto, mais concretamente da famosa Livraria Lello, para explicar como os “turistas estão a destruir os sítios que tanto adoram”.

As conclusões são de um artigo, publicado na terça-feira, pela Der Spiegel. A revista alemã aborda o facto de o turismo já não ser um bem de luxo como antigamente e de as companhias aéreas low cost como a Ryanair e a Easyjet terem contribuído para um fenómeno de turismo em massa em várias cidades da Europa.

Alguns desses exemplos são Barcelona, Roma e, no caso português, o Porto, cidades que, de acordo com a publicação, começam a fazer com que os próprios moradores se sintam mais “estrangeiros” do que os turistas que as visitam.

A revista começa por abordar o caso da Livraria Lello, um dos pontos turísticos mais emblemáticos da “invicta” e que, graças ao grande fluxo turístico, cobra agora entrada (valor dedutível caso o visitante queira comprar um ou mais livros no prazo máximo de um mês após a aquisição do bilhete).

Descrita no artigo como “um edifício neogótico de dois andares com muita madeira escura, abundância de livros antigos, ornamentação e vitrais, uma escada curva no meio (…) e por onde passou J.K. Rowling (criadora da saga Harry Potter) quando morava no Porto”, a Der Spiegel não deixa de lado os pontos negativos.

“O Porto não é uma grande cidade – cerca de 200 mil habitantes – e o centro histórico é facilmente fácil de conhecer. A primeira coisa que se vê quando chegamos à Livraria Lello são as longas filas à entrada. Turistas japoneses, mochileiros escandinavos, famílias de França, casais da China, americanos e alemães”, lê-se.

Para além das filas, a revista também se queixa das barreiras de controlo na loja, como se a entrada da livraria fosse uma espécie de “balcão de check-in de aeroporto” e fala daquilo que parece ser mais evidente no interior: ninguém quer saber dos livros, “parecem estar todos a tirar fotos com os seus smartphones”.

A revista recorda que, resultado da crise económica, a Lello esteve à beira da falência, há quatro anos. Os números atuais parecem uma loucura quando se olha para trás: durante o verão, a livraria recebe quatro e cinco mil pessoas por dia. Em 2017, o estabelecimento recebeu 1,2 milhões de visitantes e faturou mais de sete milhões de euros.

Segundo a Der Spiegel, o turismo na cidade já pode ser apelidado de “predador”, embora o Porto ainda não atinja os níveis de saturação de turistas de outras cidades europeias como Barcelona e Amesterdão.

Este é mais um aviso de que como o turismo em massa está a retirar o que há de mais genuíno nas cidades e a criar sérios problemas aos que lá habitam. No início do mês, o Diário de Notícias abordou a questão do lixo que “quase dá pelos pés” em Lisboa.

Sacos de lixo que se acumulam junto a contentores, copos de plástico com restos de bebidas, garrafas de vidro, sofás velhos no meio da rua e um cheiro nauseabundo são algumas das queixas feitas pelos moradores de alguns dos bairros mais turísticos da capital.

ZAP //

1 COMENTÁRIO

  1. É verdade. Não sei como se encontra o ponto de equilíbrio entre as evidentes mais-valias do turismo com os exageros que esse mesmo turismo acarreta, seja ao nível do acesso à habitação, da gentrificação dos bairros tradicionais, da saturação dos serviços públicos ou de exemplos como a emblemática Lello. Mas alguma coisa será preciso fazer para se encontrar esse equilíbrio.

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