“Natais Verdes”: Estâncias de esqui alpinas já planeiam futuro sem neve

jamescrook / Flickr

A estância de esqui da Val Thorens, nos Alpes franceses

No Natal passado, pela primeira vez desde que abriu, uma estância de esqui na cidade alpina francesa de Montclar não pôde contar com neve natural nem com as máquinas de neve artificial para produzir o material branco suficiente para cobrir as suas pistas.

Segundo noticiou o Phys Org, a estância de esqui francesa teve que usar um helicóptero para trazer neve dos picos altos dos Alpes e cobrir as suas pistas, nas quais não havia cobertura natural. A situação chocou a comunidade, que depende da neve para a sua sobrevivência financeira.

Os Alpes estão particularmente expostos aos efeitos devastadores do aquecimento global. De acordo com a Comissão Internacional para a Proteção dos Alpes (CIPRA), as temperaturas na cordilheira subiram cerca dois graus Celsius nos últimos 120 anos – quase o dobro da média global, com uma tendência ascendente.

O Instituto WSL de Pesquisa de Neve e Avalanche, em Davos, Suíça, alerta na sua página oficial sobre os “Natais Verdes” cada vez mais comuns nos Alpes, sendo os locais que se encontram abaixo de uma altitude de 1.300 metros os mais afetados.

“A grande maioria das estâncias está a ver uma clara redução no número de dias com solo coberto de neve, independentemente da sua altitude ou localização”, lê-se no comunicado da organização.

A estância de esqui de Montclar fica a 1.350 metros. Todos os anos, a queda de neve diminui em altitudes cada vez mais altas, de cerca de 1.200 metros na ​​década de 1960 para aproximadamente 1.500 metros atualmente.

Com pouca neve, nada pode ser deixado ao acaso. “É por isso que a tendência está a encaminhar-se no sentido de aumentar a capacidade de produção instantânea, a fim de poder cobrir toda a área com o máximo de neve, o mais rápido possível”, disse à AFP o fabricante de neve Bruno Farcy, para quem “os períodos de frio são cada vez mais curtos”.

Montclar foi um dos primeiros resorts, já na década de 1980, a instalar máquinas de neve artificial. Hoje em dia, possui um conjunto de máquinas que disparam automaticamente se a temperatura cair para menos de dois graus Celsius, além de tubos de transporte e tanques de armazenamento.

Mas mesmo essa rede não foi suficiente neste inverno. Não havia caído neve nas pistas a tempo da época do Natal e estava muito quente para operar as máquinas de neve. “Consideramos todas as opções, camiões, tratores …”, referiu Alain Quievre, responsável pela empresa que administra os teleféricos da estância de esqui.

Para resolver a situação, a estância alugou um helicóptero para transportar a neve natural de uma altitude de 2.000 metros, uma “escolha difícil”, dada a preocupação com o impacto ambiental, acrescentou Quievre.

A operação durou três horas e exigiu 400 litros de gasolina – cerca de 0,7% do consumo anual de combustível da estação, indicou, sublinhando que “estava em jogo o emprego de 50 trabalhadores em período integral e 43 trabalhadores sazonais”.

De acordo com o Phys Org, os cientistas têm alertado para a produção de neve artificial, que acaba por ser prejudicial para o ambiente por utilizar grandes quantidades de água e de energia.

Olhando para o futuro, algumas estâncias estão a mudar o foco das suas atividades para o esqui de verão, as caminhadas e o ciclismo, que atualmente representam apenas uma pequena parte da renda dos resorts tradicionais de desportos de inverno.

ZAP //

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