Primeiro hotel em Cabo Verde contra o plástico já eliminou frasquinhos e palhinhas

Ingo Wölbern / Wikimedia

Salinas de Pedra Lume, Cabo Verde

Os frascos de champô e as palhinhas de plástico já foram eliminados e a seguir serão os pacotes individuais de manteiga e ketchup a desaparecer do hotel Trópico, o primeiro em Cabo Verde a promover a redução do plástico.

A medida faz parte de uma cruzada pelo ambiente assumida pelo grupo Pestana, que detém perto de 100 unidades hoteleiras em 15 países, e que chega agora a Cabo Verde, onde possui um hotel na cidade da Praia. Nesta unidade hoteleira já não existem as doses únicas de champô e de gel de banho, tendo sido colocados dispensadores.

A medida, aparentemente insignificante, representa a eliminação de oito milhões de frascos de plástico por ano em todos os estabelecimentos do grupo, disse à agência Lusa o diretor do Pestana Trópico, Vítor Santos.

“Estamos sensibilizados com o tema do ambiente”, disse, recordando que este hotel já tem 40% de energia solar. “Tivemos esta iniciativa de nos envolvermos com os guerreiros do ambiente e, sobretudo, pretendemos que sejam os nossos fornecedores de produtos a darem-nos soluções para um tema que é urgente”, comentou.

É precisamente na compra dos produtos que as dificuldades são maiores, referiu, afirmando que “o plástico impõe-se pelo preço“. “É fácil comprar de uma forma muito barata o plástico. O verde é um tema ainda caro. O consumidor final não está disposto a pagar, muitas vezes”, sublinhou.

Vitor Santos garante que o grupo Pestana “está a dar um passo e a dizer não”. “Queremos o verde e os nossos clientes serão embaixadores das nossas políticas a favor do ambiente. Este é um tema urgente, é agora que temos de fazer alguma coisa pelas gerações vindouras”, defendeu.

Os dispensadores de champô e gel de banho foram os primeiros a serem eliminados deste hotel. Seguiram-se as palhinhas, sendo agora possível beber apenas com tubos de papel, que são muito mais caras. “A mesma quantidade de palhinhas fica sete euros mais cara se for de papel do que se for de plástico”, exemplificou.

“O que estamos a fazer é, de certa forma, a dar um passo em frente e a dizer que não queremos plástico e que pagamos mais, se for preciso, para ter uma redução do impacto ambiental”, assegurou Vitor Santos.

O grupo Pestana tem apenas um hotel em Cabo Verde, com 93 quartos, mas existem dezenas de unidades hoteleiras nas ilhas cabo-verdianas, com milhares de quartos.

A redução do plástico terá, por isso, um impacto enorme se a medida for seguida por outros hotéis, afiançou. “O cliente tem de ser envolvido, ele tem de sentir que o hotel é persistente neste tema”, declarou. “Os clientes acabam por escolher um hotel verde”.

Para assinalar o compromisso do Pestana Trópico com o programa de redução do plástico, realiza-se hoje neste hotel um evento — o PLASTx Talks — em que participam vários “embaixadores na defesa do ambiente”.

// Lusa

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